Maus hábitos à mesa



Tão importante quanto selecionar o que se come é saber de que forma se deve comer. Com a velocidade em que as coisas acontecem nos tempos modernos é cada vez mais difícil se cultivar bons hábitos à mesa. Primeiramente, cada vez menos temos a oportunidade de nos alimentar em casa. Com isso nos tornamos dependentes de lanches rápidos, que não são nada saudáveis e higienicamente são bastantes duvidosos. Por muitas vezes comemos em pé na frente das lanchonetes e praticamente engolimos a comida.

Para os que têm a oportunidade de, mesmo estando trabalhando, poderem almoçar em casa tem geralmente a mesma postura de mastigar pouco o alimento e ainda por cima, prestam mais atenção na televisão do que no que está dentro do seu prato: isso pode ser até mesmo perigoso, parando pra imaginar que no cardápio pode estar incluído um peixe com espinhas. O ideal é que o alimento seja mastigado pelo menos 40 vezes antes de ser engolido. Mas calma, ninguém precisa ficar contando, basta que tenhamos apenas a noção de que devemos engolir um bolo alimentar em consistência semi-líquida e não semi-sólida.

Partes pontiagudas de alimentos mal mastigados podem agredir o esôfago durante a sua passagem. Um pedaço de semente que não foi devidamente mastigado tem uma chance, ainda que rara, de se alojar e entupir o apêndice levando a inflamação e culminando com isso na apendicite, tudo devido ao simples fato de não ter mastigado bem. Outro problema é que o estômago vai ter muito mais trabalho para digerir. Isso porque muito mais suco gástrico vai ter que ser mobilizado para “quebrar” pedaços de alimentos muito grandes e que não deveriam ter chegado dessa forma no estômago.

Com isso, o percentual de nutrientes que realmente será aproveitado pelo organismo será bem menor, já que o estômago não pode fazer milagres.

Outro ponto importante refere-se a ingestão de líquidos durante as refeições. Este mau hábito deve ser evitado, ou pelo menos controlado.

A ingestão exagerada de sucos, refrigerantes, ou mesmo de água vão inevitavelmente diluir a concentração do conteúdo gástrico do estômago, em outras palavras, todas aquelas enzimas que o organismo preparou na medida certa para o processo digestivo, não poderão atuar com a eficácia esperada. Dessa maneira, também é inevitável a queda da taxa de nutrientes absorvidos e o aumento dos que são excretados sem serem aproveitados.

Isso quer dizer que você se alimenta, mas não se nutri. Além do mais, uma pessoa que ao longo da vida, se acostuma a beber copos e mais copos durante as refeições terão também como conseqüência a dilatação do estômago: este depois de um tempo estará tão dilatado que uma quantidade normal de comida já não será suficiente para satisfazer essa pessoa já que o espaço extra oferecido pelo estômago dilatado dará condições para que essa pessoa possa comer mais e mais, fazendo assim com que ela tenha uma probabilidade grande de engordar.

Por mais que seja cansativo, tente mastigar bem os alimentos. Se for beber algo durante as refeições prefira os sucos naturais e em quantidades razoáveis (até 200ml). Para sentir menos a necessidade do liquido durante a refeição beba água na quantidade adequada (em torno de 2 litros por dia), entre o intervalo das refeições. Muitas vezes temos essa necessidade devido a uma desidratação prévia, ou seja, estando bem hidratado a necessidade será bem menor ou nenhuma. De fato não é fácil mudar de uma hora para outra os hábitos que tivemos durante uma vida inteira, mas tentando se consegue sim. Fazendo um esforço tudo se torna possível.



Nota: O texto acima tem caráter informativo e não tem a intenção de substituir uma orientação médica ou de um profissional de saúde.
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Matéria escrita por: Tiago Pacheco dos Santos
Graduando em Nutrição pela UNIRB.
publicada em 01/06/2008
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